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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Morcegos e serviços ambientais

Gosto muito de morcegos! Estão entre meus bichos preferidos. Vou falar um pouco sobre eles. Um recado a quem tem acompanhado o blog (sei que na maioria são "abelheiros"): por favor, leia isso também, ainda que não vá muito com a cara desses bichos. Se vocês conseguem valorizar abelhas, certamente conseguirão valorizar morcegos (se já não o fazem!).
Morcegos são mamíferos, não são ratos voadores, não são cegos e nem dão azar, muito pelo contrário!!
Eles são o segundo maior grupo de mamíferos, com cerca de 1.200 espécies conhecidas, ficando atrás apenas dos roedores: os ratos de verdade. São os únicos mamíferos voadores do planeta! Assim como as nossas abelhas, tem uma diversidade grande de locais onde podem morar: cavernas, ocos de árvores, casas de seres humanos e alguns até "constroem" abrigos, mordiscando folhas de bananeira - e parentes delas - estrategicamente, de forma que as folhas dobrem, protegendo-os e ocultando-os.

Lá em casa, em um quartinho nos fundos, temos uns morceguinhos. Considero uma honra (apesar da sujeira que fazem). Desconfio serem da espécie Platyrrhinus lineatus. São bem curiosos, sempre nos acompanham com a cabeça quando passamos por baixo deles. 

Eles tem uma dieta muito variada: Frutas, néctar, pólen... e até morcegos que comem peixes. Sim, eles pescam! E o mais legal: não é mergulhando como os pássaros, eles detectam um peixe nadando perto da superfície da água e com garras mais fortes que a de outros morcegos, conseguem pescar. Muitos morcegos comem insetos e aqui está o primeiro ponto importante. Lembram-se dos serviços ambientais? Falei um pouquinho de polinização, mas muitos outros existem. Controle de insetos é um deles: das mais de 1.200 espécies de morcego conhecidas, cerca de 2/3 delas comem insetos, de diferentes locais, como vegetação aberta, florestas e até mesmo em plantações. No caso das plantações, foi estimado nos EUA que a perda de morcegos pode chegar a custar entre 3,7 e 53 bilhões de dólares por ano. Morcegos em geral são bichos pequenos e extremamente leves, para vocês terem uma ideia foi estimado que uma espécie de morcegos de 7,9 g precisa comer cerca de 9,9 g por noite durante a lactação, e um morcego brasileiro chega a consumir 70% de seu peso. Mas apesar de parecer pouco, isso é muito, porque morcegos comumente vivem em colônias: a estimativa é de que uma espécie (Eptesicus fuscus) com colônias de 150 indivíduos consumam 1.3 milhões de insetos por ano e outro estudo estimou que algo entre 727 e 1.455 toneladas (!!) de insetos são consumidas anualmente pelos cerca de 1 milhão de morcegos que morreram nos EUA por causa de um fungo (vou ver se falo mais disso depois...). Esses são alguns exemplo sobre controle de insetos.


Quem mexe com abelha gosta de falar que sem elas a gente está ferrado e elevar as abelhas ao nível, basicamente, de "senhoras da natureza". Entendo e realmente, elas são muito importantes, mas acreditem.... morcegos não ficam atrás delas em matéria de importância, de maneira nenhuma: enquanto as abelhas polinizam uma boa parte das plantas que comemos e uma enorme parte das que não comemos, os morcegos são os maiores responsáveis pela dispersão dos frutos. O que é dispersão? O seguinte: quando uma planta é polinizada, ela gera um fruto, que dentro tem sementes (pense em mamões e melancias). O fruto foi uma "invenção" de um grupo de plantas para que suas sementes, que é o que vai gerar outra planta, se espalhassem e não ficassem agrupados ao redor da mãe Ficar agrupado ao redor da mão não é "evolutivamente" interessante por alguns motivos, entre eles, podemos citar a competição: as sementes vão germinar e gerar minúsculas plantinhas, que demorarão muito tempo pra ficarem adultas, enquanto terão sempre a mãe, já adulta e muito maior, lá, competindo com elas; a dispersão evita isso. Outra coisa que podemos falar é a questão da genética. Mãe e filha estando próximas, é mais provável que elas cruzem, o que pode ser ruim ao longo do tempo (basicamente a mesma coisa que casamento entre parentes próximos para nós, humanos). Esse "espalhar" é a dispersão. Então, morcegos são extremamente eficientes na dispersão de plantas.

Morcegos gostam muito de frutos de embaúba (Cecropia spp.). É uma das pioneiras de que falei acima. (fonte: http://www.arkive.org/straw-coloured-fruit-bat/eidolon-helvum/image-G76679.html)

Só aqui nos neotrópicos (Américas do Sul e Central), morcegos dispersam pelo menos 549 espécies de plantas. Pelo fato de as sementes passarem rápido pelo trato digestivo dos morcegos, elas não são muito danificadas e continuam podendo germinar, mesmo depois de engolidas. Então eles são úteis para manter áreas naturais, como florestas e também ajudam na regeneração de áreas degradadas. Eles em geral gostam muito de frutos de espécies chamadas pioneiras. São árvores de crescimento rápido, que conseguem se estabelecer em locais onde não há outras árvores. Elas então criam condições ideais para que espécies menos generalistas consigam se estabelecer, por exemplo, sombreando o solo.
Outro fator que contribui para essa utilidade na regeneração de áreas degradadas, é o fato de morcegos defecarem enquanto voam. Pássaros o fazem enquanto pousados. Ou seja, as chances de sementes caírem e germinarem em locais sem cobertura vegetal é maior com morcegos do que com pássaros, que provavelmente vão defecar pousados em uma árvore e a semente nascerá abaixo de outra árvore. Um último exemplo: Morcegos em geral gostam muito de plantas da família dos figos (Moraceae). Os frutos dessas plantas, por sua vez, são procurados por várias espécies de pássaros e mamíferos, portanto, ao "plantar figos", os morcegos também ajudam a atrair e manter populações de outras espécies.
Para vocês terem uma ideia final da importância desses bichos, TODAS as espécies de morcegos na Europa são protegidas. Não só elas, como seus abrigos. Chegando ao ponto de construções onde morcegos habitam estarem protegidas contra danos ou destruição, independente de estarem ocupadas por pessoas ou não.
Portanto, valorizem e divulguem as abelhas. Especialmente as nativas do Brasil, que não se restringem às que são sociais. Porém, não se esqueçam dos morcegos!!!

Notas importantes: 1) Das mais de 1.200 espécies de morcegos que existem no mundo, apenas TRÊS ESPÉCIES se alimentam de sangue. Dessas 3, duas preferem sangue de aves, preferindo não consumir sangue de mamíferos. 
2) Outra coisa: evitem em mexer em morcegos com as mãos e nunca o façam sem luvas. Como TODO MAMÍFERO, eles podem ser portadores de raiva. Mas fiquem tranquilos, a raiva só é transmitida quando há contato com "fluidos corporais", como saliva e sangue. Ela não é transmitida por nenhuma outra forma. Portanto, basicamente, se você não morder ou lamber um morcego e nem ele te morder ou lamber, você não corre perigo. 

Existe um livro sobre morcegos brasileiro, de graça, pra baixar: Morcegos do Brasil.

Bibliografia:

- Boyles, J.G., Cryan, P.M., McCracken, G.F. & Kunz, T.H. 2011. Economic importance of bats in agriculture. Science 332: 41- 42.
- Kunz, T.H., Torrez, E.B., Bauer, D., Lobova, T. & Fleming, T.H. 2011. Ecosystem services provided by bats. Annals of the New York Academy of Sciences1223: 1- 38.
- Lopez, J.E. & Vaughan, C. 2004. Observations on the role of frugivorous bats as seed dispersers in Costa Rican secondary humid forests. Acta Chiropterologica 6(1): 111- 119.


Sites muito legais:

Casa dos morcegos (português);
Bat Conservation Trust (inglês);
Bat Conservation International (inglês).

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Nem tudo são flores

Li na edição número 137 (outubro de 2013) da revista Scientific American Brasil, uma reportagem muito legal, sobre abelhas. Procurei até não poder mais, pra ver se achava essa reportagem online, para indicar aqui (e no facebook) mas não encontrei. Procurei em inglês e nada também. Resolvi escrever pra SciAm Brasil e não achei onde mandar sugestões. Bom, vou tentar resumir aqui. O título da reportagem é (em português): "O Retorno das Abelhas Nativas".

"Mason bee" (Osmia lignaria) espécie já comercializada para polinização. (foto:http://www.agf.gov.bc.ca/apiculture/factsheets/506_osmia.htm)

Quem de alguma forma se interessa por abelhas, polinização e essas coisas, já deve deve ter ouvido falar da mortandade absurda de abelhas que tem ocorrido lá fora. Chama CCD (Colony Collapse Disorder - ou algo como desordem do colapso de colônia). Ela está preocupando bastante os agricultores e cientistas. Ela não é nova, mas em 2006, um apicultor perdeu 360 das 400 colmeias que tinha... as caixas tinham pólen, mel, crias... mas nada de abelhas. Elas saíram das caixas e não voltaram mais. Depois disso (que foi no outono), até o inverno seguinte alguns apicultores chegaram a perder 90% das colmeias.
Até hoje, não se sabe ao certo o que causa esse problema, mas algumas coisas parecem contribuir, como fungicidas, neonicotinioides (pesticidas), mas o que parece ser o principal culpado, são carrapatos do gênero Varroa, na reportagem eles dizem que na Austrália, onde os neonicotinioides são amplamente usados, mas onde não existe esse carrapato, as colônias não estão tendo esse problema da CCD. Esses carrapatos, além de sugarem o "sangue" das abelhas, ainda são vetores de doenças, disseminando vírus para as abelhas.
Um outro problema, é a questão das monoculturas. Por quê? Basicamente, superpopulação e mistura de causadores de doença de diferentes locais. Eles dão um exemplo bom: imagine um monte de criança num jardim de infância juntas, cada uma misturando seus agentes patogênicos. Isso acontece porque quando as grandes culturas dos EUA estão em floração, como as amendoeiras, as abelhas são "contratadas" para polinizar. Como as monoculturas são enormes (quem puder, veja o documentário "mais que mel", ou "more than honey", vale muito a pena), muitas abelhas, de diferentes regiões do país (e portanto com diferentes "cepas", ou "tipos" de doenças, se juntam). Mas o ser humano nunca causa um tipo só de problema. Com a sua tara por dinheiro, quer transformar tudo, inclusive seres vivos, em máquinas de fazer dinheiro. Quando não é época dessas grandes floradas, as abelhas não tem tanto alimento, então os apicultores alimentas as abelhas com água açucarada, xarope, milho... o que com certeza é muito menos adequado que pólen e não só pólen, como pólen de variadas espécies vegetais. As abelhas basicamente ficam a base de fast-foods quando não estão em uma monocultura (de qualquer forma, em uma monocultura a dieta delas, apesar de natural, estará longe de ser variada...). Sem contar o estresse pras abelhas de estar cada hora em uma região.
As abelhas nativas (sim, os EUA também tem abelhas nativas; as Apis não existiam lá) foram esquecidas. Na Califórnia existiam 1.600 espécies. Mas como era de se esperar, suas populações diminuíram e algumas espécies até sumiram de alguns estados americanos. Os pesquisadores estão tentando bolar maneiras de "chamar" e manter as espécies nativas de lá perto das plantações o ano todo. Estão começando a fazer testes, por exemplo, com diferentes espécies nativas dos EUA, que floram em diferentes épocas do ano, em "manchas" no meio das plantações, para que as abelhas nativas tenham lugar para ficar e alimento durante todo o ano.
Isso está sendo feito porque a ficha caiu (para muitos, pelo menos) que depender de só um tipo de polinizador (as Apis, que estão com problemas sérios, como sempre, com nossa contribuição) não é bom, porque se ele some, as lavouras vão diminuir muito sua produção ou até mesmo parar. Na China, onde alguns lugares não tem mais polinizadores por causa de perda de habitat e aplicação indiscriminada de pesticidas, fazendeiros contratam pessoas para ficarem com (pasmem) pinceizinhos, polinizando flor por flor (isso é mostrado no documentário que falei).
Algumas dessas abelhas alternativas já são até comercializadas!
Alguns agricultores lá fora já estão investindo em ter culturas de plantas nativas para os polinizadores nativos em suas plantações e o Serviço de Conservação de Recursos Naturais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos subsidia de 50 a 90% dos custos para isso.
E nós, brasileiros, o que podemos fazer? Nós temos muitas abelhas por aqui. Podíamos "acordar"... aprender com o trágico exemplo dos Estados Unidos. Temos as Meliponini, que são sociais, podem ser criadas em caixinhas (em sua maioria) e produzem mel... mas também temos abelhas solitárias (que não vivem em colônias com divisão de tarefa entre abelhas e com muitas gerações juntas), mamangavas de diferentes tipos (essenciais em cultivos de maracujá), abelhas de suor, abelhas de orquídea... temos abelha de todo tipo.
Ao mesmo tempo, ia ser bom tomar cuidado e não transformar essas outras abelhas em novas "máquinas". Podíamos aprender a lição...

Bibliografia:

- Rosner, H. 2013. O retorno das abelhas nativas. Scientific American Brasil 137: 64-69.
Procurem e assistam o documentário More than Honey.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Um pouco sobre polinização e abelhas sem ferrão

As abelhas sem ferrão são excelentes polinizadoras. Na postagem anterior falei sobre polinização como um serviço ambiental. Não tem como falar extensivamente de tudo aqui. Até porque não sou nenhum especialista no assunto e os próprios especialistas ainda debatem algumas coisas, mas faço o que posso.
Agora quero falar um pouco das nossas abelhas sem ferrão.
Tem uns artigos legais que tratam do assunto. Porém, a maioria é focada em plantas cultivadas. Afinal, infelizmente o ser humano só age quando mexe no bolso... se queremos preservar algo, dificilmente vamos conseguir apelando pro bicho em si; o jeito mais garantido é usar coisas que podem gerar lucro (ou impedir que prejuízos aconteçam).
As abelhas sem ferrão tem algumas características interessantes para serem usadas como polinizadoras em colheitas. Por exemplo, 1) elas são muito abundantes na América do Sul, 2) formam colônias "perenes", ou seja, colônias que duram por muito tempo e geralmente não hibernam, ficando ativas o ano todo e consequentemente "funcionando" (como polinizadoras) também o ano todo, 3) um negócio chamado "polilectilia", que significa que as abelhas usam pólen de muitas espécies diferentes, 4) o fato de elas terem a chamada "constância floral", que é a tendência que as abelhas apresentam de em cada viagem recolherem pólen de apenas uma espécie vegetal. Isto é, ela sai uma vez e colhe só pólen em pitangueiras até encher a corbícula e volta pro ninho, descarrega a carga e sai outra vez. Nessa segunda viagem, se ela resolve visitar um assa peixe, ela vai colher preferencialmente pólen de outros assa-peixes nessa viagem. 5) A comunicação delas também ajuda.... e assim por diante. Essas são características compartilhadas com as abelhas com ferrão, mas elas ainda possuem outras, que as abelhas com ferrão não tem: 1) Não ferroam! 2) Se você multiplica abelhas sem ferrão por causa das plantações , está contribuindo com a fauna (e flora) brasileira, 3) abelhas sem ferrão não conseguem "fugir", como as Apis, já que as rainhas perdem a capacidade de voar.
Além de tudo o que foi falado, vale dizer que cerca de metade das plantas tropicais economicamente importantes, são de áreas em que as abelhas de ferrão não ocorrem naturalmente. Por exemplo, Austrália e os "neotrópicos" (basicamente, as Américas do Sul e Central). Metade dessas, por sua vez, provavelmente é polinizada por abelhas. Mas isso não é uma limitação para culturas exóticas. Essas abelhas conseguem "aprender" quais outras plantas são boas fornecedoras de alimento, como aconteceu com o eucalipto, que não é natural do Brasil, mas é extensamente visitado pelas abelhas sem ferrão.
Finalmente achei figuras legais pra colocar... então aí vai:

Culturas polinizadas por abelhas sem ferrão:

Bibliografia:

- Heard, T.A. 1999. The role of stingless bees in crop pollination. Annual Review of Entomology 44: 183- 206.
- Slaa, E.J., Sánchez-Chavez, L.A., Malagodi-Braga, K.S & Hofstede, F.E. 2006. Stingless bees in crop pollination: practice and perspectives. Apidologie 37: 293- 315.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Serviços ambientais: polinização

Existe uma coisa chamada “serviço ambiental”. Talvez algumas pessoas ainda nunca tenham ouvido falar disso, mas é um termo relativamente conhecido, traz a ideia de que o ambiente é importante. De forma simples, significa “os benefícios da natureza para famílias, comunidades e economia” ou “processos naturais através dos quais os ecossistemas suportam e possibilitam a vida humana”. Alguns exemplos são a regulação do clima (temperaturas mundiais, precipitação), controle biológico (por exemplo, regulando populações de pragas de lavoura. Em alguns lugares se criam vespas em estufas, pra que elas controlem as pestes que por ventura entrem) e controle de erosão do solo e purificação da água.
Um desses serviços é o de polinização. Achei um artigo legal sobre o assunto e vou usar informações dele daqui pra baixo (é o de 2010, na bibliografia). Não fui eu quem saiu pesquisando várias fontes; estou apenas pegando informações que acho interessantes.
Foi calculado que das estimadas 25.000 espécies de plantas com flores do mundo, cerca de 90% é polinizada por animais, sendo a grande maioria deles, insetos. E calculou-se (apesar de esses cálculos serem complicados) que dos 33 trilhões de dólares anuais que o ambiente nos “gera” por meio dos serviços ambientais, por volta de 112 bilhões vem da polinização. Dentre os insetos, por sua vez, as abelhas provavelmente são os polinizadores mais importantes. Por conta dos problemas atuais, por exemplo aquecimento global e perda de habitats, algumas iniciativas foram criadas, como a “International Pollinator Initiative” (existe um “braço” dela no Brasil).
Um dos insetos mais conhecidos e mais usados para a polinização é a abelha com ferrão (Apis mellifera). Ela consegue aumentar a produção em 96% das espécies utilizadas na agricultura que são polinizadas por animais (o nome “técnico” é zoofílicas). Além das plantas cultivadas, obviamente, as Apis são muito importantes para plantas “selvagens”, e para ambientes naturais, como florestas. O declínio que as Apis vem sofrendo em vários lugares, como EUA e Europa, gera uma grande preocupação a respeito de quais efeitos esse declínio pode ter. E apesar de o declínio de algumas espécies (como das abelhas com ferrão e as “mamangavas” do gênero Bombus) ser documentado, para outras espécies de polinizadores, incluindo outras abelhas, é escasso.
Além do problema que um declínio das populações de polinizadores causará para as nossas lavouras, ainda há a importante questão das plantas não cultivadas!!

Plantas “selvagens”:

Estou pegando emprestado o termo “selvagem” aqui. Estou chamando de “selvagem” plantas não cultivadas. Pense em uma floresta, na quantidade de plantas que tem ali, que produzem flores, e que não cultivamos em nossas plantações. Pense em ambientes “naturais”, em florestas...
Um declínio nos polinizadores pode afetar comunidades naturais, criando dificuldades para plantas polinizadas por animais. O que seria um “ciclo vicioso”: Diminui a quantidade de polinizadores. Plantas que dependem deles começam a se reproduzir menos e as populações delas começam a diminuir. Uma menor quantidade de plantas que são polinizadas por animal, por sua vez, pode fazer com que os polinizadores tenham menos alimento disponível e comecem a declinar ainda mais. Isso seria um problema particularmente grande para as plantas que tem o que chamamos de “polinização cruzada” (ou auto-incompatíveis). Ou seja, plantas que necessariamente precisam de dois indivíduos para gerar frutos e sementes. Pense em um maracujá. As populações dessas espécies geralmente começam a declinar junto com as dos seus polinizadores.

Aproveitem e dêem uma olhada no site Sem Abelha Sem Alimento!

Bibliografia:

- Costanza, R., d’Arge, R., de Groot, R., Farber, S., Grasso, M., Hannon, B., Limgurb, K., Naeem, S., O’Neill, V., Paruelo, J., Raskin, R.G., Sutton, P. & van Den Belt, M. 1997. The value of the world’s ecosystem services and natural capital. Nature 387: 253- 260.

- Potts, S.G., Biesmeijer, J.C., Kremen, C., Neumann, P., Schweiger, O. & Kunin, W.E. 2010. Global pollinator declines: trends, impacts and drivers. Trends in Ecology and Evolution 25(6): 345- 353.